“Doutor, tá caro. O outro advogado faz pela metade.”
Se você atua na advocacia criminal, provavelmente já ouviu isso mais vezes do que gostaria.
Mas aqui vai uma verdade desconfortável:
na maioria dos casos, o problema não é o preço. É o posicionamento.
Preço é o que o cliente paga.
Valor é o que ele percebe que está levando.
E advocacia criminal não é commodity.
Por que o cliente sempre tenta baixar o honorário?
Porque ele ainda não entendeu o que está em jogo.
Para o cliente, muitas vezes é “só um processo”.
Para você, é liberdade, patrimônio, reputação, antecedentes e futuro.
Quando o atendimento se limita a “vou cuidar do seu caso”, o cliente compara apenas números.
Quando você mostra impacto, estratégia e consequência, ele passa a comparar competência.
A negociação muda de patamar.
Cobrar honorários na advocacia criminal é vender segurança, não petição
Advocacia criminal não vende peças processuais.
Vende tranquilidade em momentos de crise.
O cliente geralmente chega:
- emocionalmente abalado
- com medo de prisão ou condenação
- pressionado pela família
- inseguro juridicamente
- perdido sobre próximos passos
Se você entra apenas como “mais um advogado”, vira comparável.
Se entra como especialista que entende o cenário, explica riscos e apresenta plano, vira referência.
A tabela da OAB criminal é piso, não teto
A tabela da OAB criminal serve como parâmetro mínimo ético.
Ela não considera:
- complexidade específica do caso
- risco reputacional
- urgência
- exposição midiática
- deslocamentos
- horas invisíveis
- estresse operacional
- responsabilidade envolvida
Ou seja: ela não precifica a realidade.
Usar a tabela como teto é um erro estratégico.
Advogado valorizado usa a tabela como base técnica, mas constrói honorários sobre:
- cenário do cliente
- gravidade jurídica
- expectativa de resultado
- nível de acompanhamento
- grau de personalização
Valorização do advogado começa na forma como você se apresenta
Você não pode esperar que o cliente valorize algo que você mesmo trata como genérico.
Valorização começa em:
- diagnóstico claro do caso
- explicação objetiva das etapas
- leitura jurídica personalizada
- linguagem segura
- postura consultiva
- ausência de pressa para fechar
Advogado que corre atrás de fechar contrato transmite insegurança.
Advogado que conduz a conversa transmite autoridade.
Contrato de honorários não é burocracia. É blindagem profissional.
Na advocacia criminal, o contrato de honorários é parte da estratégia.
Ele precisa deixar claro:
- escopo do serviço
- o que está incluso
- o que não está incluso
- fases do processo
- forma de pagamento
- consequências de inadimplência
Contrato mal feito gera:
- desgaste
- retrabalho
- discussão futura
- perda financeira
Contrato bem estruturado filtra cliente problemático antes mesmo da assinatura.
O erro clássico: tentar convencer quem só quer preço
Existe um tipo de cliente que sempre vai buscar o mais barato.
Esse cliente:
- não respeita seu tempo
- questiona cada passo
- atrasa pagamento
- troca de advogado fácil
- gera mais dor de cabeça que retorno
Não é público-alvo de advocacia estratégica.
Advogado criminal que cresce aprende a identificar isso rápido e segue em frente.
Como agregar valor antes de falar em preço
Antes de mencionar honorários:
- Faça leitura técnica do caso
- Mostre riscos reais
- Explique possíveis cenários
- Apresente linha de atuação
- Demonstre experiência prática
- Só então fale de investimento
Quando o cliente entende o problema, o valor deixa de ser abstrato.
Conclusão
Se o cliente sempre diz que está caro, talvez você esteja vendendo serviço.
Advocacia criminal não vende serviço.
Vende proteção jurídica em momentos críticos.
A diferença entre honorário baixo e honorário valorizado está na narrativa, na postura e na percepção de autoridade.
Quem se posiciona como especialista não disputa preço.
Disputa confiança.
1. Posso cobrar acima da tabela da OAB criminal?
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Sim. A tabela da OAB estabelece valores mínimos. O advogado pode cobrar acima, desde que respeite critérios éticos e justifique pela complexidade do caso.
2. Como explicar honorários altos ao cliente?
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Mostrando riscos, estratégia e impacto real do processo. Quando o cliente entende o problema, o valor deixa de ser apenas número.
3. Vale a pena dar desconto para fechar rápido?
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Na maioria das vezes, não. Desconto precoce enfraquece sua autoridade e atrai clientes problemáticos.
4. Contrato de honorários é obrigatório?
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Não é apenas recomendável. É essencial para segurança jurídica do advogado e alinhamento de expectativas com o cliente.
5. Por que alguns clientes sempre reclamam do preço?
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Porque ainda não enxergaram valor ou porque só buscam o mais barato. Nem todo cliente é público-alvo.
6. Como aumentar o valor percebido do meu trabalho?
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Com postura consultiva, diagnóstico técnico, comunicação clara e posicionamento como especialista.


